"A Missanga, todos a veem.
Ninguém nota o fio que,
em colar vistoso,
vai compondo as missangas."

Mia Couto, poeta moçambicano

Marilena Chaui - A universidade pública sob nova perspectiva

Segue texto em PDF de Marilena Chaui sobre os rumos da Universidade Pública para download.

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Em crise, estudantes só se articulam em pautas efêmeras

Segue entrevista publicada no Jornal Brasil sobre o Movimento Estudantil, com o sociólogo Carlos Menegozzo.




EM CRISE, ESTUDANTES SÓ SE ARTICULAM EM PAUTAS EFÊMERAS


http://www.brasildefato.com.br/v01/impresso/jornal.2009-08-03.2831669932/editoria.2009-08-03.4082426623/materia.2009-08-06.3367430107

ENTREVISTA - Especialista do tema aborda conflitos históricos e políticos do movimento estudantil brasileiro

Eduardo Sales de Lima
da Redação

OCUPAÇÕES, GREVES, fragmentação política. Nos últimos anos, temas como esses pautaram os debates em torno do movimento estudantil brasileiro. Em entrevista, o sociólogo Carlos Menegozzo, do Centro Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo, afirma que o movimento estudantil enfrenta “uma crise prolongada, pontuada por ações de protesto tão explosivas quanto efêmeras”.
Mais. Ele comenta as novas perspectivas de organização da União Nacional dos Estudantes (UNE) diante da criação do Programa Universidade para Todos (Prouni). A reforma universitária, segundo ele, é um dos principais elementos para que a mobilização dentro do movimento estudantil atinja um número maior de pessoas.

Brasil de Fato – Atualmente, você acredita que ocorre um processo de reorganização política e ideológica do movimento estudantil? Sobretudo após as ocupações das reitorias em 2007?
Carlos Menegozzo – Sou cético em relação ao que se tem chamado de “novo movimento estudantil”. As ocupações de 2007 e 2008 reforçam uma tendência histórica do movimento nas últimas décadas, em que há uma crise prolongada, pontuada por ações de protesto tão explosivas quanto efêmeras. Esse processo se dá sobre uma base objetiva que remonta à reforma universitária de 1968, quando as instituições se fragmentaram, dividindo também o movimento. Cada universidade ou faculdade têm perfil e movimento próprios, enquanto, nos cursos, as turmas se diluem com o sistema de matrícula por créditos. Os movimentos explosivos e efêmeros emergem quando, apesar de uma crise prolongada e da dedicação militante, a diversidade de experiências estudantis fragmentadas se articula circunstancialmente em torno de uma pauta comum. Foi isso que ocorreu em 2007: o movimento se tornou coeso em torno das ocupações, tomadas como forma de protesto. O mesmo se deu no “Fora Collor” com a questão da “ética na política”. Daí meu ceticismo em relação à ideia de um “novo movimento estudantil”.

O que muda na organização do movimento estudantil no Brasil a partir do acesso de um número maior de jovens no ensino superior, sobretudo nas universidades privadas? A tendência da UNE, hoje, é debater mais com esses estudantes?
A ampliação do ensino superior não é uma novidade. Historicamente, me parece que está associada a um incremento da atividade política na universidade. Foi assim nas reformas de 1870 e 1940-1960, por exemplo. Mas há outros fatores que determinam o protesto estudantil e, por essa razão, uma coisa não leva à outra necessariamente. Esse é caso dos anos de 1980 e posteriores. Quanto às instituições particulares, também não são novidade. Não vejo sua ampliação como uma mudança substantiva em termos de impacto sobre o movimento: reforçam a tendência à fragmentação intensificada desde a reforma de 1968. De todo modo vale o registro de que, nas particulares, por sua natureza e composição social, fatores como a pressão do mercado são maiores, o que pode afetar o nível geral da mobilização. Quanto à UNE, penso que sua intervenção compreende e organiza melhor a experiência e as reivindicações desses setores. Coisa que a porção minoritária da diretoria da entidade, apesar da maior radicalidade de seu programa, não consegue, e deveria, fazer.

O movimento estudantil já foi mais combativo ou isso é um mito levado a cabo pelos saudosistas? Hoje o estudante sobrepõe as questões práticas às ideológicas?
O movimento já foi mais forte e politizado, e isto não é um mito. Obviamente há toda uma mitologia que se construiu em torno de episódios como o maio de 1968 e muitas vezes isso impede o movimento de perceber certos processos: quem acha que nas ações de 1968 todo mundo era socialista, por exemplo, não vai entender porque a participação diminuiu na universidade de lá para cá. Nesse contexto, a falta de participação acaba sendo explicada pela presença dos partidos ou pela “traição das direções”. Insuficientes, tais leituras ignoram variáveis como a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, além das responsabilidades ou dependência do estudante em relação à família, que afetam a disponibilidade e a disposição para a militância. Paralelamente a isso, existem também formas de politização que o militante não compreende e, nesse caso, a aparente falta de interesse do estudante reflete também a incapacidade do movimento em falar a língua dele.

A representatividade partidária dentro dos diretórios centrais de estudantes (DCEs) é legítima? Em que sentido ela pode atrapalhar a ação política dentro do espaço universitário?
A presença é legítima porque a entidade é expressão de um conflito de ideias que ocorre na sua base política. E os partidos são uma forma de organizar coletivamente essas ideias tão legítima quanto os grupos não-partidários. Muitos acham que a culpa pela crise do movimento é dos partidos, mas essa leitura ignora o fato de que o movimento nunca foi tão forte e partidarizado quanto nos anos de 1960, nem tão fraco e despartidarizado quanto nos anos de 1980. Ou seja, a presença dos partidos não é necessariamente sinônimo de crise e desmobilização. Mas os partidos têm ajudado pouco: não têm cumprido a sua função, que é a de levar o movimento a se pensar no quadro geral – uma condição imprescindível para a superação de sua atual crise. Por essas razões, acho que falta ação partidária na universidade, apesar da presença dos partidos. Mais que legítimos, portanto, os partidos são imprescindíveis.

O movimento estudantil está mais próximo dos movimentos sociais?
Não me parece haver uma mudança substantiva nesse sentido em relação às últimas décadas. A relação existe, mas na falta de projeto global de sociedade – e aí o problema é dos partidos, como disse antes – essa relação se reduz a uma somatória de reivindicações corporativas, o que efetivamente não transforma a sociedade. O quadro hoje está mais para “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum” do que para uma ofensiva contra-hegemônica. Não basta estar lado a lado, é preciso haver um acordo em relação a um eixo estratégico. Quanto mais próximo estiver esse eixo do “elo fraco da cadeia”, então mais efetivo será o papel dos movimentos, inclusive do movimento estudantil, na luta geral. Mas, para isso, insisto, falta uma atuação partidária mais consistente.

Por não haver um impulso à formação política, o movimento estudantil, hoje, é mais reagente que agente? Parece que os estudantes uspianos só aderiram à greve por causa da presença da PM na USP.
Acho que há uma ligação entre esses dois elementos. Como disse anteriormente, a coesão circunstancial de experiências fragmentadas em torno de uma pauta comum é uma tendência do movimento estudantil nas últimas décadas. O movimento recente não escapa a essa dinâmica: nesse caso, foi a violência policial que detonou o mecanismo. Vejo a formação política como um dos fatores que podem ajudar a esquerda e o movimento a compreender historicamente essa dinâmica e a equacioná- la estrategicamente. Na falta de uma formulação estratégica, impossível sem formação política, a tendência é não pautarmos a conjuntura e a história, mas sermos pautados por elas. Por outro lado, é verdade que certas leituras que fazemos da história, a partir das quais construímos nossa própria identidade, tornam a experiência e o estudo bastante seletivos, impedindo que se abram à compreensão do real. Nesses casos, doutrinária, a formação não resolve, mas agrava o problema da “reatividade”.

Qual o maior desafio para que o movimento estudantil seja massivo e atinja um número maior de estudantes?
Como num bolo, a forma é tão importante quanto a massa. Isso também vale para os movimentos: quer dizer, não basta a receita do protesto estar ali, pois sem expressão organizada não há movimento, mas ações espalhadas. Acho que nesse contexto a massi- ficação se constrói em duas frentes. Primeiro, é preciso sensibilidade por parte do movimento para dialogar com as experiências e culturas estudantis que se multiplicam com a fragmentação da universidade, ampliando e dando o máximo de coesão ao movimento. Do contrário o movimento vira um gueto e é exatamente isso que tem acontecido nas últimas décadas. Segundo, é preciso superar a base objetiva, fragmentária, sobre a qual os movimentos existentes se dispersam. E, para isso, é preciso uma reforma universitária, que por sua vez depende não somente da luta estudantil, mas de uma mudança na correlação geral de forças. Insisto uma vez mais: faltam aos partidos capacidade de estabelecer uma estratégia que permita essa mudança. E é por essa razão que estou convicto de que a crise do movimento é, na verdade, uma crise da esquerda.

Quem é:
Carlos Henrique Metidieri Menegozzo, 28 anos, é sociólogo especialista em arquivologia do Centro Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo. Dedica-se à história da esquerda e do movimento estudantil nos anos 1970 e 1980 e ao tratamento de arquivos relacionados a essas temáticas.


Resumo de Propostas

Segue um resumo de nossas propostas. Veja também nossa Carta de Apresentação e o Manifesto 'fio de missangas'.


MOVIMENTO ESTUDANTIL
  • Apoiar as SAs para que levem as discussões gerais do M.E. para os estudantes que elas representam;
  • Incentivar a participação das SAs nos CCAs (Conselhos de Centros Acadêmicos) e nos EnCAs (Encontros de Centros Acadêmicos);
  • Dar continuidade à campanha pela democratização da USP;
  • Construir a participação dos estudantes do campus São Carlos no X Congresso de Estudantes da USP;
  • Lutar pela garantia dos espaços estudantis dentro da universidade, bem como sua autonomia de atuação politica e sócio-cultural frente aos diversos ataques recentes a estes espaços, inclusive quanto ao direito de consumir e comercializar bebidas alcóolicas, diante das propostas de proibição por parte do Governo do Estado;
  • Exigir um espaço para o CAASO na região central da Área 2 do Campus;
Conheça todas as nossas propostas quanto ao Movimento Estudantil clicando AQUI.


ACESSO E PERMANÊNCIA ESTUDANTIL
  • Criação de bolsas com caráter exclusivamente socioeconômico de seleção e que não exijam contrapartidas, acadêmicas ou em forma de trabalho;
  • Apoiar a autogestão do alojamento, especialmente frente aos ataques da administração da universidade e promover discussões acerca do tema da permanência possibilitando, dessa forma, que mais estudantes do campus possam aderir à essa luta;
  • Lutar para que haja local para construção de alojamento na Área 2 do Campus de São Carlos e que este seja de acordo com a reivindicação dos moradores, bem como o projeto do mesmo;
  • Lutar pela ampliação de vagas e cursos noturnos;
  • Que a expansão de vagas se dê com planejamento garantindo os investimentos necessários à qualidade do ensino.
Conheça todas as nossas propostas quanto a Acesso e Permanência Estudantil clicando AQUI.


SÓCIO-CULTURAL DO CAASO
  • Priorizar atividades abertas e gratuitas ou de baixo custo;
  • Valorizar as atividades dos Grupos Sócio-Culturais do CAASO, fomentando também o surgimento de novos grupos dentro do papel compreendido de um CA;
  • Apoiar os demais grupos culturais ou de extensão existentes no campus não diretamente ligados ao CAASO, assim como os presentes na cidade;
  • Expandir as atividades sócio-culturais do CAASO à Área 2 do Campus;
  • Consolidar o MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO) enquanto um coletivo aberto que debata questões relacionadas à cultura e promova atividades culturais ao longo do ano.
Conheça todas as nossas propostas quanto ao âmbito Sócio-Cultural clicando AQUI.


POLÍTICAS DE GESTÃO

  • Rastrear dívidas e processos do CAASO, a fim de elaborar um planejamento financeiro a curto e longo prazo;
  • Publicizar os debates, inclusive os administrativos e financeiros, promovidos pela Diretoria, fóruns da entidade e demais atividades, bem como de seus grupos e entidades de representação estudantil;
  • Reestruturação, reorganização e acompanhamento de reformas e manutenção dos espaços e equipamentos do CA;
  • Renovação e revitalização do Acervo da BiblioteCAASO;
  • Restauração do material do Arquivo Histórico do CAASO, catalogando e alocando-o em local apropriado e acessível a todos.
Conheça todas as nossas propostas quanto à Política de Gestão clicando AQUI.


COLÉGIO CAASO

  • Construir cenários factíveis para a gestão do Colégio CAASO, seja no âmbito pedagógico, no administrativo ou no financeiro, levando-os aos fóruns da entidade, comprometendo-se a aprofundar ao máximo a discussão;
  • Trazer as questões do Colégio CAASO ao conhecimento dos alunos, grupos e entidades de representação estudantil do Campus;
  • Propor mais atividades de cunho sócio-cultural dentro dos espaços do Colégio CAASO;
  • Incentivar a aproximação dos alunos dos cursos da USP e demais Universidades da região, especialmente os de Licenciatura, para atuar junto aos espaços do Colégio CAASO
Conheça todas as nossas propostas para o Colégio CAASO clicando AQUI.

Integrantes

Núcleo Administrativo
Tratar das questões financeiras e jurídicas, organização e emissão de documentos e demais aspectos burocráticos.
  • Giulio Capestrani "Cataia" (Engenharia Ambiental - 2007) - Secretário Geral
  • Mariana Voros Fregolente (Engenharia Ambiental - 2006) - Tesoureira
  • Paulo Bernardo Neves e Castro (Engenharia Elétrica - 2007)
  • Vanderlei dos Reis Filho "Sinop" (Engenharia Aeronáutica - 2004) - Presidente
  • Vincent de Almeida "Frances" (Engenharia Aeronáutica - 2008) - 1º Tesoureiro

Núcleo de Formação
Propor atividades que promovam uma visão crítica acerca das diversas questões que perpassam a Universidade e a Sociedade.
  • Camila Coppi Cintra (Matemática - 2005)
  • Danilo Eric dos Santos (Arquitetura e Urbanismo - 2006)
  • Gabriela De Nadai (Engenharia Ambiental - 2006)
  • Gustavo Licht Fortes "Bahia" (Engenharia Civil - 2008)
  • Leandro de Souza Rosa "Ribeirão" (Engenharia de Computação - 2009)
  • Rachel Biancalana Costa (Engenharia Ambiental - 2006)
  • Túlio Queijo de Lima (Engenharia Ambiental - 2009)


Núcleo Sócio-Cultural
Propor e planejar atividades a partir do debate acerca do papel que o CAASO deve desempenhar nesse âmbito.
  • Alexandre Koji Imai Negrão "Akin/Net" (Informática - 2007)
  • Andrés Mantecon Ribeiro Martano (Engenharia de Computação - 2007)
  • João Antonio Cassaro Junior "Jão" (Arquitetura e Urbanismo - 2006)
  • Lucas Roman Consiglio "Tiririca" (Engenharia Ambiental - 2009)
  • Pedro José Naam Mattos "Leitinho" (Engenharia Ambiental - 2009)
  • Raphael Nuno Rodrigues Laghi (Engenharia Civil - 2007)
  • Victor Failla " Guaxi" (Engenharia Ambiental - 2007)

Colégio CAASO

Um dos projetos de extensão do CAASO consiste do Colégio CAASO, com a intenção de promover um ensino diferenciado, bem como levar o senso crítico a seus alunos no mérito social e cultural, com acesso facilitado, sem fins lucrativos. Criado na década de 1950 enquanto Cursinho Pré-Vestibular, num ato pioneiro na cidade, sua evolução histórica agregou a ele também o Ensino Médio e mesmo um Curso Supletivo, embora este último já não mais seja ministrado.

Hoje, contudo, esta iniciativa carece de revisão frente à dinâmica sócio-econômica e a implantação de inúmeras escolas na cidade, inclusive com viés pedagógico semelhante ao do Colégio CAASO, como nas escolas e cursinhos populares. Pelo próprio caráter do projeto, parte de seu financiamento provém do CA, chegando a comprometer o equilíbrio financeiro deste quando, por exemplo, da ocasião de baixo número de matriculados.

Juridicamente as responsabilidades do Colégio CAASO recaem sobre sua diretoria e, estatutariamente, também seus encargos burocráticos. Entretanto, mais importante que estas relações, é estabelecer uma organicidade entre o Colégio e o próprio CA.

Frente a este quadro, traz-se as seguintes propostas para o CA quanto ao Colégio CAASO:
  • Construir cenários factíveis para a gestão do Colégio CAASO, seja no âmbito pedagógico, no administrativo ou no financeiro, levando-os aos fóruns da entidade, comprometendo-se a aprofundar ao máximo a discussão;
  • Trazer as questões do Colégio CAASO ao conhecimento dos alunos, grupos e entidades de representação estudantil do Campus, corroborando a proposta de aproximação do próprio CA a estes também neste ponto;
  • Propor mais atividades de cunho sócio-cultural dentro dos espaços do Colégio CAASO, servindo também como extensão das atividades do Salão Social do CAASO e de seus grupos;
  • Incentivar a aproximação dos alunos dos cursos da USP e demais Universidades da região, especialmente os de Licenciatura, para atuar junto aos espaços do Colégio CAASO.

Política de Gestão

Embora o foco principal de um Centro Acadêmico seja as questões do Movimento Estudantil, há atribuições endereçadas a seu corpo diretivo que incluem a gestão de seus espaços e bens.

Viabilizar as ações de um CA, invariavelmente, acarreta em ônus à entidade. Seu espaço físico e equipamentos carecem de manutenção, melhorias e material de consumo de reposição constantes. Após uma série de conquistas históricas para atender a demandas não oferecidas prontamente pela Universidade, o CAASO se apresenta com uma grande infra-estrutura de apoio, oferecendo aos estudantes e comunidade espaços para desenvolvimento de suas atividades. Atualmente o CAASO obtém seu financiamento através de diversas fontes: arrendamentos, anuidades, doações e realização de eventos. No entanto esta arrecadação não garante a segurança financeira da entidade.

Considerando estas colocações, estabelecemos as seguintes propostas:
  • Promover o envolvimento de mais pessoas afora a Diretoria do CAASO, como colaboradores;
  • Documentar e repassar claramente as informações administrativas às próximas gestões do CAASO;
  • Rastrear dívidas e processos do CAASO, a fim de elaborar um planejamento financeiro a curto e longo prazo;
  • Buscar apoio externo, junto à Prefeitura Municipal, Governos Estadual e Federal, ex-alunos, bem como da própria USP para mitigar processos e dívidas do CAASO;
  • Buscar o título de utilidade pública nas instâncias estadual e federal, evitando a tributação por elas inferida;
  • Publicizar os debates, inclusive os administrativos e financeiros, promovidos pela Diretoria, fóruns da entidade e demais atividades, bem como de seus grupos e entidades de representação estudantil;
  • Reestruturação, reorganização e acompanhamento de reformas e manutenção dos espaços e equipamentos do CA, para possibilitar a ampliação das atividades da entidade, seus grupos e demais entidades estudantis que usam desta infra-estrutura;
  • Renovação e revitalização do Acervo da BiblioteCAASO, buscando apoio das unidades do Campus e suas bibliotecas, bem como o recadastramento deste em meios digitais para propiciar sua consulta eletrônica;
  • Restauração do material do Arquivo Histórico do CAASO, catalogando e alocando-o em local apropriado e acessível a todos, através do apoio da USP, UFSCar e Prefeitura Municipal de São Carlos.

Sócio-Cultural

Denota-se a importância do papel da Cultura na formação do indivíduo, enquanto reflexo de um conjunto de ações coletivas cotidianas. Dentro da Universidade, aponta-se seu caráter indispensável, uma vez que a formação universitária pressupõe a formação plena dos estudantes, incluindo aí o senso critico, e não única e exclusivamente técnica e profissional. Pois, justamente, o meio universitário propicia a diversidade de experiências e a integração com os demais estudantes e com a sociedade, criando seres pensantes, críticos e independentes.

Neste sentido, o espaço do Centro Acadêmico não deve se limitar às atividades com caráter de puro entretenimento. Já as atividades com uma proposta cultural precisariam englobar experiências coletivas, práticas sociais e principalmente ações transformadoras, incentivando o envolvimento dos estudantes e da comunidade geral, em especial com as questões debatidas pelo Movimento Estudantil. Também, propiciar uma forma de aproximação ao não-cotidiano, a fim de acrescer e não simplesmente perpetuar o que está dado, bem como desmistificar o caráter de espectador, promovendo o indivíduo a sujeito dos processos artístico-culturais.

Dentro desse contexto a chapa 'fio de missangas' vê no Centro Acadêmico o dever de proporcionar a diversidade cultural, divulgando a produção independente e valorizando a Cultura associada às tradições populares, além de não reproduzir o viés alienante da “cultura” massificada produzida pela indústria cultural com mero interesse lucrativo. Faz-se, assim, jus ao caráter histórico do CAASO, sendo este representativo da força e da influência política e artístico-cultural em alcance regional e nacional.

Outro aspecto importante se refere à coerência entre a utilização do espaço do Centro Acadêmico e seu papel, espaço este onde não se devem reproduzir atividades de cunho machista, homofóbico ou qualquer outra forma de preconceito e descriminação, especialmente por tratar-se de um lugar público.

Neste viés, aponta-se algumas propostas dentro da política sócio-cultural para atuação no CAASO:
  • Priorizar atividades abertas e gratuitas ou de baixo custo, visando a democratização do acesso à atividades sócio-culturais a toda comunidade, tanto universitária quanto da região;
  • Valorizar as atividades dos Grupos Sócio-Culturais do CAASO, fomentando também o surgimento de novos grupos dentro do papel compreendido de um CA, cujas atividades venham a atender às propostas do CAASO, garatindo-lhes autonomia para atuar. Também deve-se incentivá-los a se inserirem dentro do ME, intervindo direta e/ou indiretamente, pautando-se pelos fóruns do póprio movimento, legitimando-o;
  • Apoiar os demais grupos culturais ou de extensão existentes no campus não diretamente ligados ao CAASO, assim como os presentes na cidade, procurando criar uma intercomunicação e uma relação de mutualismo entre eles;
  • Buscar nos grupos, atentando ao caráter crítico de suas atividades, uma base de apoio às atividades e ao papel do próprio CA, promovendo a independência deste, uma vez que denotadamente estes grupos fazem parte do CAASO e figuram-no simbólica e fisicamente;
  • Expandir as atividades sócio-culturais do CAASO à Área 2 do Campus, buscando valorizar as diversas possibilidades de uso de seus espaços e construir a presença do Centro Acadêmico;
  • Consolidar o MACACO (Movimento Artístico e Cultural do CAASO) enquanto um coletivo aberto que debata questões relacionadas à cultura e promova atividades culturais ao longo do ano articulando os diversos grupos do CAASO e da cidade fazendo jus à idéia de movimento, entendendo-o como principal eixo de atuação do Centro Academico nesse âmbito.

Acesso e Permanência Estudantil

A redução das desigualdades socioeconômicas faz parte do processo de democratização da universidade a partir de políticas concretas da mesma que possibilite a todos iguais condições para permanecerem na universidade e concluirem seus estudos em pé de igualdade.

No entanto, a USP tem seguido na contramão desse entendimento, passando a classificar os alunos em perfis, limitando o número de bolsas concedidas de modo que estes tenham que optar, muitas vezes, entre morar ou comer.

Além disso, a exigência de horas de dedicação em funções que, muitas vezes, deveriam ser ocupadas por funcionários, faz com que estes tenham menos tempo para se dedicar aos estudos tendo ainda que apresentar maior rendimento acadêmico para “provar” que merecem tal apoio. É preciso assegurar a todos tempo livre para estudo, amplo acesso a livros e a outros bens culturais. Não podemos construir uma universidade verdadeiramente democrática e justa com práticas internas de exclusão.

A universidade deve democratizar o acesso por meio da ampliação de vagas com toda a estrutura necessária para que essa expansão se dê com qualidade (salas de aula, bibliotecas, laboratórios, refeitórios, contratação de professores e funcionários, ...). Esses aspectos geram a gratuidade em ação e móvel, que acompanha o estudante em todas as suas necessidades, diferente do pensamento de que universidade gratuita é aquela em que não se paga somente mensalidade.

Tendo como princípio a educação como direito de todos e dever do Estado, a chapa 'fio de missangas' entende como fundamental garantir que todos consigam acessar esse direito e vê como prioridade para a próxima gestão do CAASO as lutas por permanência estudantil através das seguintes propostas:

  • Criação de bolsas com caráter exclusivamente socioeconômico de seleção e que não exijam contrapartidas, acadêmicas ou em forma de trabalho;
  • A autogestão do alojamento tem sido constantemente atacada pela administração da universidade das mais diversas formas. Manifestamos total apoio à mesma, principalmente promovendo discussões acerca do tema da permanência possibilitando, dessa forma, que mais estudantes do campus possam aderir à essa luta;
  • Lutar para que haja local para construção de alojamento na área 2 do campus de São Carlos e que este seja de acordo com a reivindicação dos moradores, bem como o projeto do mesmo;
  • Lutar pela ampliação de vagas e cursos noturnos, aproveitando assim uma estrutura já existente;
  • Que a expansão de vagas se dê com planejamento garantindo os investimentos necessários à qualidade do ensino.

Movimento Estudantil

Toda entidade estudantil deve fazer parte do Movimento Estudantil. Contudo elas não são o movimento em si. Este é feito por todo estudante que compreende as necessidades coletivas deste e que se coloca em movimento. Nesse sentido, o papel das entidades é organizar os estudantes em torno de suas lutas e despertar neles um senso de coletividade que permita enxergar os problemas e formas de ação enquanto coletivo, e não como mera soma de indivíduos.

Neste cenário, o CAASO exerce importante papel dentro do ME da USP, pois é uma entidade que representa todos os estudantes do campus de São Carlos, o segundo maior do interior em número de alunos. Pelo seu papel central, ele deve participar ativamente na articulação do M.E. geral, construindo uma relação orgânica com as entidades estudantis dos demais campi e com o DCE, debatendo nos fóruns do movimento a partir do seu acúmulo de experiências, levando até estes espaços as propostas que por aqui são formuladas. Mas, pelo seu próprio caráter de entidade geral, o CAASO enfrenta dificuldade em promover o debate e as ações no cotidiano mais específico dos estudantes de cada curso.

Nesse sentido, como órgãos representativos mais próximos dos estudantes, as Secretarias Acadêmicas possuem um papel fundamental para construir e participar das discussões acerca dos problemas e demandas do M.E no nosso campus, o que evidencia a importância de uma relação próxima e articulada entre as SAs e o Centro Acadêmico. Além disso, uma boa comunicação entre estas entidades pode facilitar ao CAASO tomar conhecimento dos problemas enfrentados pelos cursos e auxiliar a resolvê-los.

Assim, propomos:
  • Fomentar que as SAs discutam a política de ensino dos cursos;
  • Apoiar as SAs para que levem as discussões gerais do M.E. para os estudantes que elas representam, inclusive participando de algumas de suas reuniões para ajudar nos debates;
  • Manter uma periodicidade na realização do Conselho das Secretárias Acadêmicas (CSA) e incentivar a participação das SAs em seus debates;
  • Incentivar a participação de integrantes de SAs nas reuniões da Diretoria do CAASO;
  • Incentivar a participação das SAs nos CCAs (Conselhos de Centros Acadêmicos) e nos EnCAs (Encontros de Centros Acadêmicos);
  • Propor ao DCE que se realizem mais CCAs nos campi do interior;
  • Dar continuidade à campanha pela democratização da USP;
  • Construir a participação dos estudantes do campus São Carlos no X Congresso de Estudantes da USP;
  • Lutar pela garantia dos espaços estudantis dentro da universidade, bem como sua autonomia de atuação politica e sócio-cultural frente aos diversos ataques recentes a estes espaços.
  • Exigir um plano-diretor para a Área 2 do Campus de São Carlos;
  • Exigir um espaço para o CAASO na região central da Área 2 do Campus;
  • Recentemente os espaços estudantis tem sido atacados pelos dirigentes da universidade. Devemos garantir a autonomia sobre esses espaços, inclusive o direito de consumir e comercializar bebidas alcóolicas, diante das propostas de proibição por parte do Governo do Estado, a partir de justificativas moralistas, mas com clara intenção de restringir a sociabilidade dos estudantes dentro dos campi universitários.

Carta de Apresentação

Embora represente uma unidade, o colar é formado por miçangas agregadas em torno de um fio. Quando separadas, elas não possuem coesão e nem compõem um conjunto, uma vez que o elemento agregador essencial – o fio – está ausente. Assim pensamos o papel do Centro Acadêmico: constituir o fio que nos une.

Nessa linha entendemos que, assim como num colar todas as miçangas contribuem igualmente para manter a unidade, na universidade, todos os elementos - tanto os individuais quanto os coletivos - desempenham um papel importante na construção do Centro Acadêmico. Por conseguinte, a “fio de missangas” acredita que um maior diálogo com os estudantes do campus de São Carlos através das SAs e dos grupos do CAASO é fundamental para a construção de uma idéia de universidade que extrapola a formação técnica e que fomenta uma consciência crítica.

Essa noção também se reflete na proposta de estrutura horizontal da gestão, cujos membros trabalhariam divididos em três núcleos: Administração, Formação e Sócio-Cultural. Esse tipo de organização garante o comprometimento de todos e, embora os membros de cada núcleo estejam mais direcionados, é possível que cada pessoa atue no todo conforme as demandas. Ademais, essa estrutura permite que outras pessoas se envolvam diretamente com as questões do Centro Acadêmico, na forma de colaboradores e apoiadores.

Assim, a chapa “fio de missangas” pretende fortalecer a idéia do CAASO como um espaço para unir os diversos elementos que compõem o Campus em favor da construção de um espaço efetivo de formação e atuação estudantil.

Manifesto ‘fio de missangas’

Mais que um grupo de pessoas reunidas para disputar votos, nos apresentamos enquanto chapa-candidata às eleições para a diretoria do CAASO como um coletivo construído em torno do acúmulo de debates desta entidade e do Movimento Estudantil como um todo. Entendemos que uma entidade estudantil deve construir com os próprios estudantes uma visão crítica da realidade e não meramente reproduzi-la.

Considerando o papel histórico de um Centro Acadêmico, é preciso valorizar sua principal função, qual seja, organizar o movimento dos estudantes em torno das pautas construídas por sua coletividade, e fortalecer sua expressão cotidiana, através de suas atividades no âmbito político, sócio-cultural e de extensão. Este cenário também deve ser compartilhado pelos grupos do CAASO e pelas demais entidades estudantis do Campus.

Recentemente, vários acontecimentos tidos como institucionalizados foram desnaturalizados dentro do espaço do CA e no contexto da Universidade. Questões de permanência estudantil, acesso à Universidade e o caráter das atividades propostas no espaço do CA vem ganhando reinserção no imaginário coletivo. Aproximar os estudantes destes pontos é impreterível para consolidar uma formação plena dentro da Universidade e construí-la como instituição social democrática, gratuita e de qualidade para todos.

Desta maneira, os debates e ações promovidos pelo CAASO e pelos grupos relacionados a ele, bem como pelas demais entidades de representação do Movimento Estudantil, devem fomentar constantemente os questionamentos às idéias de Universidade e mesmo de Sociedade como um todo. Esta condição é essencial para que um espaço como o CAASO não se vulnerabilize, perdendo seu sentido de ser e sua legitimidade conquistada historicamente.

Muito da força do nome CAASO provem de ações políticas e culturais direta ou indiretamente propostas por ele à comunidade acadêmica e também à sociedade são-carlense. Neste mesmo aspecto se sobressai sua importância enquanto centralizador das discussões e lutas estudantis do Campus.

Porém, nota-se um forte individualismo que permeia tanto os estudantes quanto os grupos e entidades que esses organizam. Se a sigla e o símbolo de nosso CA são usados como fator de identidade destes, o que transparece é a figura do CAASO como apenas uma soma de indivíduos, e não um conjunto fortemente construído. Assim, é necessário o envolvimento destes com o CAASO, tal qual as miçangas reunidas em um fio.